A
cada ano a CNBB nos propõe a realização
da Campanha da Fraternidade durante o Tempo da Quaresma,
acenando para
temas que respondam a questões vivenciais
para nossa Igreja no Brasil. Atendendo a inúmeras
sugestões para que no ano de 2008 a questão
a ser trabalhada fosse a defesa da vida humana em todos
os sentidos, a CF nos leva a uma reflexão que exige
de todos nós, católicos, como também
de todas as pessoas que lutam pela defesa da vida uma postura
consciente de que, sendo a vida o dom mais precioso recebido
do nosso Deus Criador, é nosso dever “escolher,
pois, a vida” (Dt 30,19).
Diante
da realidade atual, mesmo com todos os avanços
conquistados pela humanidade, percebemos de modo muito
claro que a vida humana não está sendo
considerada como o valor fundamental, mas está submetida
ao valor econômico, que a usa e dela abusa como
meio de satisfazer seus interesses. Assim, a injustiça
social gera a ignorância, a fome, a violência,
a criminalidade e a exclusão, impedindo que milhões
de seres humanos tenham o mínimo de acesso às
condições necessárias de vida.
Nós,
cristãos, vamos defender a vida a partir dos critérios
evangélicos e baseados nos ensinamentos da Doutrina
Social da Igreja, que nos apontam os caminhos para a
vida verdadeira, trazida a nós por Jesus Cristo.
De nossa fé no maior presente de Deus à humanidade,
que é a vida doada de Jesus nosso Salvador, será nosso
empenho defender e promover a vida humana, desde a sua
concepção até a sua morte natural.
Isto implica a consciência de todos em esclarecimentos
sobre o aborto, sobre a sexualidade humana, sobre o lugar
da família como o ideal para a educação
equilibrada e madura dos filhos a fim que se desponte
em todos o respeito pela dignidade de cada ser humano.
A temática da CF ganha um sentido profundo a partir
do próprio texto de inspiração,
em Dt, 15ss, que é uma proposta de Deus feita
ao povo por meio de Moisés, que continua atual
para nós: “Vê, ofereço-te hoje,
de um lado, a vida e o bem, do outro, a morte e a maldição. Escolhe
a vida, e então viverás com toda
a tua posteridade”.
O
essencial na condição da escolha da vida é a
postura de acolhida. Os jovens pais acolhem a vida que,
pelo mistério, se desenvolve a partir do amor
entre os esposos. Os pais preparam os filhos maiores
para o novo que chega. Os adultos cuidam dos idosos não
como aqueles que sobraram, mas como aqueles que apontaram
direções de vida nos relacionamentos familiares.
Assim foi a postura do próprio Filho de Deus.
Sua maneira de acolher principalmente os que d’Ele
se aproximavam: enfermos, inválidos, pecadores,
revelava o seu respeito pelo mistério de cada
ser humano. Como Bom Pastor deu sua vida pelas suas ovelhas,
para que todos pudessem entender a vida em abundância
que d’Ele provinha. Na vida de nossa Igreja Diocesana,
as pastorais que se relacionam com a preservação
da vida deverão ter prioridade fundamental a partir
desta CF: Pastoral da Criança, Pastoral do Menor,
Pastoral Familiar, Pastoral da Juventude, Pastoral da
Pessoa Idosa, Pastoral da Saúde... Vejam que a
lista é grande! E por que não acrescentar
ainda a Pastoral da Ecologia, que nos ensina a preservar
a vida de todos os seres vivos que nos levarão à harmonia
de todo o ecossistema?
É-nos
pedido um discernimento diante dos caminhos da vida e
da morte em nosso contexto atual. Se não prestamos
atenção, levados pela manipulação
dos meios de comunicação e pela imposição
dos que detêm o poder das experiências científicas,
podemos considerar tudo como muito natural e assim acatar
posturas que nos induzem a ir contra as orientações éticas
e morais ensinadas pela Igreja. Por isso, como orientação
para nossa Igreja Diocesana, quero que todos se atenham
com mais profundidade sobre essa questão, não
permitindo que esta CF seja apenas mais uma Campanha,
mas que a partir dela tenhamos uma postura mais convicta
sobre o valor da vida humana.
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